Nessa luta, propósitos políticos mais aguerridos às vezes são desenhados sub-repticiamente sob o discurso da negativa da política e da perda de sentido dos seus constituintes mais caros. Recorrer a esses expedientes é algo freqüente na história das disputas – mormente as eleitorais – onde se enfrentam forças que possuem um projeto e uma história política consolidados e outras que investem meramente na potencialização de suas carreiras pessoais, desconsiderando os propósitos inolvidáveis da instituição. Também é freqüente o fato dos discursos personalistas, supostamente desprendidos de interesses políticos, se prestarem a esconder práticas incompatíveis com ambientes onde vigorem estatutos e pautas democráticas normatizadoras de relações assentadas nos direitos e deveres de cidadania e na salutar convivência política entre os diferentes pensamentos.
Na atual disputa pela Reitoria da UFPI temos presenciado muitas manifestações desdenhosas contra a defesa que fazemos da Democracia como ponto importante da nossa luta. Até então reconhecíamos esse indesejável comportamento como destinado a esvaziar o valor dos colegiados paritários e das instâncias administrativas para a participação ativa dos segmentos que compõem a Universidade, o que já nos era muito preocupante.
Ao visitar recentemente os campi de Picos, Floriano e Bom Jesus, pudemos conhecer o investimento propositado numa institucionalidade enfraquecida e desrespeitada, a exemplo de uma estrutura administrativa do 3º grau – à exceção de Floriano – onde parte ainda está por constituir-se bem como diretores e coordenadores de curso nomeados pela atual Reitoria, além de colegiados acadêmicos declinando do funcionamento regular, deixando as decisões sob o controle individual dos gestores local e central.
Nos campi o discurso contra a democracia também está produzindo práticas administrativas de retaliação e coação, acompanhadas de gestos que indicam o uso do farto clientelismo na postura assumida pela Administração Superior da UFPI e de vários de seus representantes locais. Professores processados e alguns punidos à margem da observância dos trâmites e normas que disciplinam o assunto. Outros, pressionados a se manter em silêncio sobre a situação do Campus sob pena de sofrerem danos variados. Estudantes e servidores amedrontados em decorrência de ameaças de punição ante as tentativas de denúncia de fatos e práticas de cerceamento da liberdade de expressão. Familiares dos três segmentos ameaçados de demissão da EAD/UAB e dos postos de serviço terceirizado por manifestarem divergência de opinião.
Os fatos relatados já se mostram por demais preocupantes. Na atualidade, porém, a repressão à liberdade, já existente no quotidiano, poderá ser incrementada por antigos vícios que comprometeriam ainda mais a liberdade e a lisura que devem caracterizar a consulta à comunidade universitária. Os três segmentos – professores, servidores e estudantes – temem pela adoção, por parte da Comissão Eleitoral, de sistemática de votação que permita a posterior identificação dos eleitores, com o objetivo, como sabemos, de permitir possíveis perseguições políticas àqueles que venham a mostrar simpatia pelo candidato da oposição, Prof. Solimar Oliveira.
Em vista da possibilidade de desrespeito aos trâmites legais e legítimos de um processo eleitoral que se quer democrático e livre, professores, servidores e estudantes solicitaram à Chapa de oposição apoio no sentido de se assegurar o voto autônomo e esclarecido na consulta à comunidade acadêmica do dia 07 de maio. Para os segmentos universitários de todos os campi apenas a adoção da urna eletrônica – recurso já legitimado pelas instâncias máximas da República -poderá garantir eleições livres e democráticas na Universidade. Comprometemo-nos com todos os que nos buscaram, e ratificamos aqui para toda a comunidade universitária, desde já, o nosso compromisso de lutar incansavelmente para manter afastada dos nossos processos eleitorais – especialmente na UFPI – a prática do mapismo, de triste memória na história política do Piauí dos coronéis.
Assim, com o intuito de assegurar a convivência democrática de um modo geral, a oposição exige trâmites processuais corretos, viabilização da participação da comunidade universitária e liberdade irrestrita de expressão a todos que fazem a UFPI. Em relação à consulta acadêmica, reivindica ainda à Comissão Eleitoral que assegure um pleito livre e eticamente orientado em todos os seus aspectos, entendendo que a adoção das urnas eletrônicas mostra-se indispensável, bem como a ampla realização de debate entre os candidatos em todos os campi e nas redes de rádio e televisão. Por fim, convida todos ao entendimento de que um processo eleitoral legítimo e transparente é o primeiro passo para restabelecermos mecanismos confiáveis de participação ativa, condição imprescindível para um fazer acadêmico compatível com a História e a Missão da Universidade Federal do Piauí.
Grupo de Oposição Eleição da Reitoria-UFPI/2008