Posts de Maio, 2008

Eleição transcorre normalmente durante a tarde

Maio 7, 2008

Ao contrário do clima tenso desta manhã, as eleições para reitor e vice-reitor da UFPI transcorreram sem mais grandes problemas nesta tarde. Segundo a Comissão Eleitoral, algumas urnas, como as do CCS-Centro, foram lacradas às 18h por elas estarem em Centros onde não ocorre aulas noturnas. A apuração total dos votos acontecerá ainda hoje, às 22h, no auditório do CT, com previsão de divulgação do resulta à meia noite.

>> 15:30

Solimar Oliveira e Antônio Nascimento visitam a urna do CCS-Centro, onde o vice-governador do Piauí, Wilson Martins, e o prefeito municipal de José de Freitas, Robert Freitas, votaram.

Vice-goverador do Piauí, Wilson Martins

>> 16:30

Solimar Oliveira, acompanhado pela comitiva da CHAPA 01, visita as sessões eleitorais do CCA e do Colégio Agrícola.

>> 18:00

A urna eletrônica da sala do Curso de Direito começa a apresentar problemas. Do lado de fora, cerca de cinqüenta alunos esperam votar. Felizmente, em poucos minutos, a urna é restabelecida.

Fila de estudantes para votar na urna localizada na sala do Curso de Direito

CHAPA 01: Rumo à Vitória

Maio 7, 2008

Acompanhe a seguir os fatos que aconteceram durante a eleição para reitor da UFPI nesta manhã.

>> 9:00

A eleição começou em vários pontos com 1 hora de atraso. Na sala Camilo Filho, foram colocadas duas urnas, uma para professores e outra para estudantes. Uma grande fila se formou, já que a urna de estudantes estava com problemas.

Outro problema é que na mesma sala funcionaram duas sessões com apenas uma mesa, com três mesários. Quando o correto previsto pelo regulamento da eleição é que deva haver uma mesa com três mesários para cada urna

Às 9h20, chegou o técnico do TRE, que colocou a urna me funcionamento.

>> 9:30

Solimar Oliveira vota em sessão eleitoral localizada no CCHL

>> 10:30

Estudante sofre agressão na urna 39

Servidora partidária do reitor agride estudante. As estudantes Hellane Fontentele, Naina e Aline Nascimento, acompanharam a estudante Ozirene, de pedagogia até a urna 39, no SG 09, onde votam pessoas cujos nomes não constem na lista geral de eleitores. Na porta sessão, a servidora Eva Leal de Moraes, que não é mesária e nem fiscal ou delegado, tentou barrar a entrada da estudante de pedagogia alegando que ela não seria universitária, acusando-a de querer “roubar o voto do meu reitor”, assim falando. Ozirene apresentou sua identificação estudantil, mas mesmo assim a servidora continuou a querer barrar sua entrada, dando inicio a discussão.

Estudante Hellane Fontenele foi agredida por servdidora partidária da chapa opositora

No meio do bate e boca, Hellane Fontenele atirou um bola de papel na servidora, que se exaltou e revidou acertando um chute na estudante. Assustada, Hellane saiu da sala correndo e tentou se esconder no Centro Acadêmico de computação. Eva Leal correu atrás dela e tentar arrombar a porta, ela esmouurou a porta quebrando o vidro de proteção. E segundo testemunhas, a segurança interna da UFPI assistia passivamente ao fato.

A estudante já prestou queixa junto 12º Distrito Policial quanto ao ocorrido.


Porta com o viddro quebrado pela servidora. Uma folha foi usada para cobrir o dano causado

>> 13:00

Solimar Oliveira concede entrevista ao vivo a duas emissoras de televisão. Durante as entrevista, o candidato defendeu seu projeto de fortalecimento da UFPI, dando voz aos três seguimentos através dos colegiados, democratizando a Universidade, uma das características da CHAPA 01. Também rebateu as acusações da chapa adversária de que estaria difundindo inverdades em sua campanha. “Olha, quem participou dos debates em Teresina, Parnaíba, Picos, Floriano e Bom Jesus, sabe muito bem que o reitor andou falando que inaugurou várias salas e laboratórios. Mas nos próprios debates, os estudantes locais rebateram a fala do candidato a reeleição perguntando onde estariam estas salas e laboratórios, e ele não soube responder! O compromisso da CHAPA 01 é com a verdade, e não com a mentira!”.

Solimar ainda aproveitou para convocar a comunidade acadêmica para comparecer em massas as urnas, e falou sobre os problemas que estão ocorrendo durante o pleito, em especial a respeito da agressão da estudante Hellane. “A CHAPA 01 cresce nesse momento, e é lamentável que fatos como a da agressão a estudante tenham ocorrido e tirado um pouco do brilho da eleição. Mas isso não impede que a eleição possa transcorrer livremente até as 22h de hoje. Por isso, peço tranqüilidade aos eleitores para que todos possam votar e exercer a democracia”, declarou Solimar.

Eleição para Reitor da UFPI 2008

Maio 6, 2008

As eleições para a reitr e vice-reitor da Universidade Federal do Piauí serão realizadas nesta quarta-feira, dia 07 de maio. Aproximadamente 22 mil pessoas participam da eleição que ocorre simultaneamente em todos os Campi da UFPI: Teresina. Picos, Floriano e Bom Jesus, além dos pólos de EAD (Educação à Distância) localizados em 11 municípios.

A votação começa às 8h e se encerra às 22h, proceguindo para a apuração dos votos. Pela primeira vez, serão usadas urnas eletrônicas em todos os Campi, com exceção dos pólos de EAD onde a votação ocorrerá através de urnas convencionais (com cédulas de papel).

O candidato a reitor da CHAPA 01, professor Solimar Oliveira, irá votar às 15h30 9h30, na sala de banco de dados do Curso de Economia, que fica ao lado do Departamento de Economia, no CCHL ( Centro de Ciências Humanas e Letras).

A apuração começa às 22h, no auditório do CT (Centro de Tecnologia) da UFPI que será presidida pelo professor Monte Filho, presidente da Comissão Eleitoral.

DADOS GERAIS – ELEIÇÕES UFPI 2008

NÚMERO TOTAL DE ELEITORES: APROXIMADAMENTE 22 MIL VOTANTES
· Professores = 984
· Servidores = 1095
· Alunos = 19.865

NÚMERO DE ELEITORES POR CAMPUS

1. TERESINA = 16.850
Professores = 784
Servidores = 975
Estudantes = 15.091

2. PARNAÍBA = 2140
Professores = 74
Servidores = 40
Estudantes = 2.026

3. FLORIANO = 491
Professores = 22
Servidores = 22
Estudantes = 397

4. PICOS = 1434
Professores = 47
Servidores = 29
Estudantes = 1358

5. BOM JESUS = 1029
Professores = 57
Servidores = 29
Estudantes = 943

6. PÓLOS DA EAD (Educação à distância) = 2474
Estudantes = 2.474

NÚMERO DE URNAS = 81
URNAS ELETRÔNICAS = 66
TERESINA = 49
CAMPUS DO INTERIOR = 17

URNAS CONVENCIONAIS = 15
PÓLOS DA EAD (Educação à distância) = 15

FONTE : COMISSÃO ELEITORAL

Contagem Regressiva: CHAPA 01 na reta final da eleição para reitor da UFPI

Maio 5, 2008

Tudo pronto para a tão aguardada eleição para a escolha do novo reitor da Universidade Federal do Piauí. Nesta quarta-feira, dia 07 de maio, a partir das 8h, ocorrerá um dos maiores processos eleitorais do Estado. A UFPI reúne milhares de eleitores que, ao todo, são mais de 20 mil pessoas, entre estudantes, professores e servidores. E pela primeira vez serão utilizadas urnas eletrônicas em todos os Campi da UFPI, com exceção dos pólos de Educação à Distância.

Há menos de 48 horas para a eleição, os candidatos pela CHAPA 01, professores Solimar Oliveira (reitor) e Antônio Nascimento (vice-reitor), movimentaram dois grupos de trabalho pela Universidade. Enquanto Solimar Oliveira visitou as salas do CCHL (Centro de Ciências Humanas e Letras) com uma parte da comitiva que o apóia, Antônio Nascimento visitou salas no CCS (Centro de Ciências da Saúde), numa mobilização que se faz necessária para ratificar o compromisso da CHAPA 01 com a Instituição nesta reta final da eleição. Assim, estudantes puderam tirar dúvidas e conhecer um pouco mais das propostas dos candidatos da CHAPA 01.

Baseado no lema “Qualidade, Transparência e Ética”, o programa de trabalho dos candidatos tem como principal desafio promover a participação dos Centros e Campi no planejamento dos gastos da UFPI, ouvindo as Coordenações e Colegiados dos diversos cursos da Universidade sobre a geração de novas vagas, para assim unir as necessidades de ampliação com as condições reais de funcionamento dos cursos. Dentre outras ações que tem o intuito de implantar a descentralização administrativa e de gestão de recursos, dando autonomia aos Centros e Campi.

Na ocasião das visitas, muitos estudantes tiveram a oportunidade de ficar cara a cara com o candidato Solimar e cobrar ações para seus cursos, como foi o caso do Bruno Quirino, estudantes de química e bolsista do CNPq, que quis saber o que a CHAPA 01 pretende fazer pelo seu curso. Solimar Oliveira esclareceu que vai zelar pela UFPI como um todo, pois cada curso tem suas dificuldades. Ele pretende aumentar a participação de estudantes, servidores e professores nos conselhos para que cada Centro possa apontar suas prioridades.

Em resposta, Bruno Quirino falou que compartilha com o pensamento de uma gestão que priorize todos os alunos, e não apenas um grupo. “O reitor tem que se preocupar com o todo, porque para crescermos é preciso união. Eu sei de pesquisas que estão paradas por conta de briga política entre o reitor e o pessoal de Química. No meu Curso têm alunos, professores e servidores que são perseguidos pelo atual reitor por não apoiarem sua candidatura”, comentou Bruno, mostrando a falta de democracia que a UFPI passa com a atual administração.

O complexo processo de aprendizagem sobre liberdade

Maio 5, 2008

Neste último mês acompanhei, por meio de alguns jornais nacionais e internacionais, o processo eleitoral na Itália, o qual foi concluído esta semana com a eleição, pela terceira vez, do fascista Sílvio Berlusconi.

Na Universdiade Federal do Piauí (UFPI), o processo eleitoral vem acontecendo há mais ou menos um mês. Desde então, o debate sobre as condições de funcionamento da instituição tem sido importante para evidenciar as dificuldades e os problemas enfrentados nos mais diferentes espaços da mesma. Entretanto, como no processo eleitoral italiano, naquele da UFPI, “Há uma recidiva perversa do impedimento da livre expressão, uma volta do clientelismo apadrinhador, de uma espécie de servidão voluntária, de taxações ilegais, de puro desrespeito” (NETO, 2008). Tudo isto torna os discursos presentes em ambos os processos muito semelhantes, conforme explicitarei nas linhas seguintes.

A semelhança entre o discurso de Berlusconi e aquele do atual reitor da UFPI quanto às razões que os levaram a se candidatarem à reeleição, salta aos olhos. A exemplo, a arrogância como este último se refere ao nosso percurso na instituição, a patrulha quantitativista ao nosso fazer e a imposição, a qualquer custo, de uma única lógica acadêmica.

Berlusconi foi eleito defendendo a reconstrução da Itália e, para tanto, afirmando claramente ser contrário às diferenças políticas e culturais para que a “nova” Itália seja reconstruída. O reitor da UFPI, mesmo com todas as manifestações de segmentos da comunidade acadêmica sobre seu desrespeito às diferentes formas de pensar a política acadêmica na instituição, age como se nada estivesse acontecendo. Desse modo, tal como Berlusconi, nega as diferenças políticas e culturais.

Uma boa demonstração deste desrespeito tem sido a forma de tratamento dada aos que pensam diferente. Chama-nos de CACIQUEs e não apenas isto, impõe-nos, na instituição, uma condição de GADO. O termo CACIQUE, a propósito, é empregado de forma pejorativa, distante daquele presente na cultura de nossos ancestrais. A condição de GADO é-nos atribuída, quando faz referências aos nossos modos de fazer e construir a universidade, desrespeitando as particularidades presentes nesse fazer, as instâncias deliberativas e desconsiderando que este processo de construção passa por cada um de nós: professores, alunos e servidores.

O rompimento com esta imagem de que quem se posiciona de um determinado “lado” é CACIQUE, passa pelo resgate do nosso longo processo de aprendizagem sobre liberdade. Eu, como muitos professores, alunos e servidores que hoje estão na campanha do professor Solimar, aprendemos a ser livres e para nós é preciso defender a liberdade, sem esquecer a política. Por isto, a garantia da liberdade pressupõe o respeito às instâncias acadêmicas e a desmonopolização da verdade.

A defesa da liberdade, sem esquecer a política pressupõe a compreensão de que a democracia é a liberdade circunscrita no interior das regras institucionais, daquilo que definimos como Estado de Direito. É exatamente sobre este aspecto que devemos insistir: o processo de aprendizado de democracia é permanente.

Estou nesta campanha, não porque sou CACIQUE ou GADO, conforme tenho ouvido e lido, mas porque nela tem diálogo e como sou convicta de que o diálogo só pode ser conduzido por indivíduos livres, aqui estou. Estou também, porque penso e quero uma universidade livre, processo e luta dos quais participei e ajudei a construir como estudante e quero agora ajudar como professora. Não acredito na neutralidade política, pois sei que este discurso serve para eleger os Berlusconis da vida.  Por isto, não me furtei a me envolver nesta campanha e vivo com paixão cada vitória construída.

Segundo meus princípios, a democracia rege-se pelo respeito à dignidade e à liberdade humanas. Acredito na idéia de que a democracia é a condição sine qua non para construirmos um mundo melhor e garantir melhores condições de vida. Desta forma, num processo eleitoral, o voto é uma arma e o argumento é uma das formas de construir consensos. Obviamente, é preciso ter consciência de que estamos num espaço institucional. Do contrário, o tumulto e as soluções antidemocráticas serão nossas armas. O recurso às soluções antidemocráticas, favorece o perigo: preciso vencer a qualquer custo; sou a perfeição! Só EU sei fazer! Você não conhece a universidade.

Ao me referir ao tumulto, não quero anular a existência do conflito, mas também não os igualo. A base do conflito é a diferença e esta tende ao aperfeiçoamento das idéias que devem ser construídos tendo como fundamento a democrática: a idéia de que os homens são imperfeitos e por isto ninguém tem o direito de impor aos outros suas próprias idéias. As idéias penso, devem ser objeto de discussão, nunca de imposição.

Professora Dra. Lila Cristina Xavier Luz
Departamento de Serviço Social

Edwar Castelo Branco e Honestino Guimarães: entre o simulacro pós moderno e “corpo-militante” contra o regime militar

Maio 4, 2008

Artigo – Francineide Pires Pereira

Em debate recente na Universidade Federal do Piauí, o professor Edwar Castelo Branco, candidato a vice-reitor da chapa governista na UFPI, invocou a imagem de Honestino Guimarães, para afirmar sobre sua própria identidade de professor com “coração de estudante”. Em momento anterior, o mesmo candidato afirma ter sido escolhido em função de seu perfil acadêmico, por oposição à política (http://www.acessepiaui.com.br/geral2. php?id=88329).

Para quem não viveu anos de chumbo da ditadura, mas está minimamente interessado em conhecer de modo mais consistente as posições dos candidatos, vale a pena falar um pouco sobre Honestino Guimarães. Ele foi estudante de geologia da Universidade de Brasília (UNB) até quando, após o Ato Institucional nº 5 (AI-5), foi expulso desta, sendo impedido de terminar seu curso a apenas dois meses de sua conclusão. Eleito presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) em 1971 e vivendo na clandestinidade, manteve a construção do movimento estudantil, apesar da insistência de familiares e amigos para que fugisse do país, a fim de não ser assassinado.

Preso em 1973, tornou-se mais um “desaparecido político”, triste metáfora para representar as pessoas assassinadas pelo regime militar. Seu corpo jamais foi encontrado e somente em 1996 aconteceu o reconhecimento público de sua morte e de outros “desaparecidos políticos” pelo Estado brasileiro.

Inúmeras homenagens fazem com que sua luta não tenha sido em vão. O Diretório dos Estudantes da UnB leva seu nome, além de diversos outros; há um museu Honestino Guimarães em Brasília; em 1979, o Congresso da Reconstrução da UNE foi realizado com uma cadeira vazia e, nela foi posta uma grande bandeira com seu rosto estampado, como um ato simbólico e uma homenagem a ele; em 1997, o então reitor da UnB João Cláudio Todorov outorgou o título de Mérito Universitário a Honestino; nas homenagens de que participa, Maria Rosa, sua mãe, lembra frase proferida por ele durante assembléia de estudantes na UnB: “podem nos prender, podem nos matar, mas um dia voltaremos e seremos milhões…”

Pois bem, a frase proferida por Edwar aconteceu em 30 de abril de 2008, 35 anos depois da prisão e morte de Honestino. Nesse entretempo, o mundo vive a chamada acumulação flexível, a “condição pós moderna” e o boom das teses pós modernas, tal como as de Edwar. Senão vejamos texto seu, que se propõe ser um “investimento no sentido de oferecer uma alternativa” ao quadro no qual a história do período da ditadura fica subsumido na oposição sociedade civil x militares. Então, “partindo do pressuposto de que aquela década corresponde, no caso da história do Brasil, ao período de emergência da pós-modernidade brasileira”, Edwar convida-nos a “olhar para fora do quadro tranqüilizador que as versões sobre os anos sessenta nos oferecem: às passeatas e palavras de ordem dos estudantes, às lamúrias e vociferações dos exilados e às reluzentes promessas do milagre brasileiro, este texto quer especular sobre desejo, prazer e dor” (CASTELO BRANCO, 2006, p. 01, dois primeiros grifos meus; último grifo do autor).

Esta é a visão maniqueísta do autor, na qual os movimentos culturais da tropicália são retirados das “sombras” e alçados à luz dos que têm “desejo, prazer e dor” (os/as militantes estudantis e de partidos, não?). Estes significam o “corpo-transbunde-libertário”, enquanto os militantes de movimentos políticos e estudantis – que fazem passeatas e gritam palavras de ordem, os últimos e que vociferam e se lamentam, os primeiros – representam o “corpo-militante-partidário” (CASTELO BRANCO, 2006, p. 03).

Após esta citação, terá alguma leitora e algum leitor dúvida quanto ao lugar atribuído por Edwar a Honestino Guimarães em seus textos? Em assim sendo, por que Edwar utilizou o símbolo do lamuriante e vociferante Honestino para representar a si próprio, ante a comunidade acadêmica da UFPI?

Vou apresentar aqui uma hipótese: o professor Edwar, conhecedor da tese pós-estruturalista, segundo a qual vivemos na era da produção de imagens como “simulacro” e ansioso para cumprir o papel atribuído a ele na campanha pelo grupo atual reitor – o de arrebanhador dos votos do CCHL, principalmente dos/as estudantes –, tentou ganhar adesão naquele momento, por que meio do uso da imagem de Honestino Guimarães. Em texto com título esclarecedor, podemos ver que simulacro é “uma ação cujo grau de imitação é tão perfeito que se torna quase impossível de detectar a diferença entre o original e a cópia, entre o real e o irreal” (FONSECA, 2007). Naquele momento, portanto, era conveniente o vínculo entre Edwar e um símbolo da resistência estudantil, assim como em momento anterior era conveniente a figura do acadêmico, não político.

Assim, quem iria reivindicar a diferença abissal entre Honestino e Edwar, já que “devido ao acúmulo de imagens e simulações [as pessoas] possuem apenas uma experiência a compartilhar, que é a alucinação desestabilizada e estetizada da realidade”? (BAUDRILLARD apud SOARES, 1996, p. 01). Quem poderia indignar-se com tal oportunismo se, da perspectiva do professor Edwar, “no mundo dos simulacros, tudo é uma questão de provar a política pela ‘falsa política’; de provar o programa político e os discursos, pela ‘falsa promessa’”? (CONNOR apud Soares, 1996, p. 01).

A propósito, a aposta no eterno presente pós-moderno do professor citado pode encontrar um caminho de resistência: a nossa aposta na memória histórica. E então, ao invés de apostar no simulacro, podemos dizer com Honestino Gumarães, que morreu enfrentando os poderosos e seus prepostos, sua frase favorita: “os poderosos podem matar uma, duas, até três rosas, mas nunca deterão a primavera” (atribuída a Ernesto Guevara). Ao final, podemos nos sentir autorizadas/os a solicitar ao professor Edwar que respeite a memória do movimento estudantil e a inteligência da comunidade acadêmica da UFPI do presente! O oportunismo, o carreirismo e o sucesso a qualquer custo são atos incabíveis para caracterizar a memória de Honestino Guimarães, assim como para incontáveis pessoas da comunidade acadêmica da Universidade Federal do Piauí. Também podemos dar resposta soberana a toda esta farsa, resgatando a nossa dignidade e fazendo vencer a qualidade, a transparência e a ética nas eleições do dia 07 de maio vindouro.

REFERÊNCIAS

Fonseca, Rui Pedro. A arte como discurso. A identidade como mercadoria. Sociologia, Problemas e Práticas, n.º 53, 2007, pp. 117-133. Disponível em: <http://www.scielo.oces.mctes.pt/pdf/spp/n53/n53a06.pdf>. Acesso em: 01/05/2008

Castelo Branco, e. de A. Ele é o homem. Eu sou apenas uma mulher: corpo, gênero e sexualidade entre as vanguardas tropicalistas. VII Seminário Fazendo Gênero. 28-30/08/2006. Anais, Seminário Temático 16.

Soares, Holgonsi. Simulacro: verdade ou mentira pós-moderna? Disponível em: <http://www.angelfire.com/sk/holgonsi/index.simulacro.html>. Acesso em: 01/05/2008.

Francineide Pires Pereira
Professora Adjunto do Departamento de Serviço Social da UFPI; Doutora em Ciências Sociais pela PUC/SP

Nota em resposta ao reitor

Maio 3, 2008

AOS ESTUDANTES E TRABALHADORES DA UFPI

Prof. Leonardo Ferreira Soares – Doutorando em Biotecnologia

No debate para reitor promovido pelo DCE UFPI fui covardemente atacado pelo candidato a Reitor Luís Júnior, sem poder exercer o direito ao contraditório. Esta não é a primeira vez que este candidato e atual Reitor da UFPI parte para ataques pessoais e tenta desqualificar professores da UFPI que não estão sob a sua batuta.

Sou um professor com mestrado e no momento cursando o doutorado que tenho produção de artigos e inclusive livros publicados. Trabalho como tema de pesquisa anemia falciforme, anemia de origem genética, no estado do Piauí e muitos já devem ter lido algum artigo publicado nos jornais sobre a referida patologia ou mesmo visto entrevistas minhas relativas ao tema em canais de TV, ciência engajada. No momento encontro-me escrevendo uma nova publicação sobre as legislações que beneficiam as pessoas com anemia falciforme, aliado a artigos produzidos em laboratório no qual detectamos a presença de 4% de portadores da herança genética para esta doença no estado do Piauí, uma revolução para a saúde pública, nesta área. Só não vê quem não quer.

O projeto de número 06517.3870001/07-002, por mim elaborado, no valor de R$ 121.599,50 aprovado pelo Fundo Nacional de Saúde, do Ministério da Saúde está com os recursos já em conta pronto para execução; fazendo parte do programa de segurança transfusional e qualidade do sangue em atenção aos pacientes portadores de hemoglobinopatias (anemia falciforme), montaremos um laboratório para estudo desta doença, no curso de Farmácia; os projetos que o mandatário diz buscar somos nós que sentamos e fazemos e ele quer levar a fama; Ah desculpa! A FAMA é do candidato a vice.

No ano de 2005 tive aprovado no mesmo Fundo Nacional de Saúde projeto na mesma linha de trabalho no valor de R$ 14.500,00, convênio cujo número UFPI/FADEX n0 42/005 já executado. Aprovado o mesmo foi que consegui aprovar o convênio para este ano, acima citado.

Outrossim, faço movimento político acadêmico e sindical aliado a ciência, assim que deve ser, o professor além da pesquisa, sala de aula e extensão deve engajar-se na política para garantia do ensino público gratuito de qualidade e com referência na sociedade, Além da eterna vigilância pela democracia como vem acontecendo agora na UFPI, onde a democracia interna encontra-se seriamente ameaçada.

Sou sindicalista com muito orgulho, com uma visão progressista de mundo e uma visão humanista, acredito que cada ser humano carrega em si a capacidade de reflexão e indignação contra as injustiça de um mundo capital, onde o ter e o ser sobrepõe-se a tudo; recuso-me a desistir de ser feliz e ajudar a propiciar pão e flores na mesa de todos.

Sou paraibano radicado no Piauí desde o dia 13 de maio de 2002, terra maravilhosa que me acolheu e me deu tudo que tenho na vida. Em conversas informais sempre digo aos amigos que esta é a terra de Canaã, onde jorra leite e mel, para mim, aqui até as coisas ruins são boas. Amo esta terra onde casei, tenho filho, faço o que gosto, adoro as pessoas e sei que sou aceito. Se fosse por opção gostaria de aqui ter nascido, pois assim teria oportunidade de ter o prazer da companhia de pessoas queridas há mais tempo.

Na UFPI existe uma polícia política, onde querem através de boatos, ilações e falsos dossiês macular a vida dos homens e mulheres de bem, temos que acabar com isso. Por último encontro-me em juntada de provas para interpelar o mandatário quando as acusações infundadas a mim proferidas frente às câmeras e a comunidade universitária; será bem fácil desmascará-lo!!

Integrantes da CHAPA 01 cobram esclarecimentos da Comissão Eleitoral

Maio 2, 2008

Na manhã desta quinta-feira, 30 de abril, integrantes da Chapa 01, do candidato reitor, professor Solimar Oliveira, se reuniram com o presidente da Comissão Eleitoral, professor Monte Filho, responsável pela execução da eleição na UFPI, que será realizada no dia 07 de maio. A reunião foi solicitada a partir da necessidade urgente da Chapa 01 de ter esclarecimentos quanto ao processo eleitoral como um todo, em especial quanto à autonomia da Comissão Eleitoral gente ao pleito, a garantia de urnas eletrônicas nos Campi do interior do Estado, além de informações sobre o número de estudantes da Educação a Distancia (EaD), a relação geral dos estudantes e outros questionamentos.

Logo no início da reunião, o presidente da Comissão Eleitoral informou que os Campi de Parnaíba e Floriano provavelmente não terão urnas eletrônicas. Os integrantes da Chapa 01, preocupados com a lisura do processo eleitoral, pediram explicações sobre a real solicitação destas urnas junto ao TRE – Tribunal Regional Eleitoral. Durante a explicação do presidente da Comissão Eleitoral, ficou claro para os membros da CHAPA 01 o descuido com a viabilização e legitimidade do processo eleitoral de uma envergadura do que ocorre – por volta de 22 mil eleitores – faltando menos de 3 dias úteis para a realização das eleições.

Na reunião constatou-se que o uso de urnas eletrônicas no interior do Estado não foi definido, as mesas receptoras dos votos ainda não foram organizadas e, o mais grave, a Comissão Eleitoral admitiu que não tem autonomia sobre processo eleitoral, precisando – recorrentemente – consultar o reitor, que é candidato, sobre os encaminhamentos que precisam ser feitos.

Conforme informação do professor Monte Filho, a Comissão Eleitoral não tem documentação que comprove os pedidos e as negativas do uso de urnas eletrônicas nos Campi do interior do Piauí, o que comprova a informalidade do processo eleitoral. Informou que, ainda consultou o atual reitor sobre o uso das urnas eletrônicas. Devendo a própria Comissão Eleitoral dirigir os todos os processos, inclusive dirigir-se diretamente ao Tribunal Eleitoral para a solicitação de urnas, o presidente da comissão eleitoral encaminhou documento ao reitor para que este avaliasse e entrasse em contato com o TRE. O presidente argumenta que foi necessário se dirigir ao reitor porque as despesas da Comissão são pagas pela Administração Superior da UFPI, representada pelo reitor Luiz Júnior.

Diante disso, a professora Valéria Silva, da Coordenação Política da CHAPA 01, fez por escrito uma série de questionamentos ao professor Monte Filho, que envolviam o levantamento dos custos da eleição, a dotação financeira para que a Comissão trabalhasse autonomamente, o tipo de participação rotineira do reitor e seus assessores junto à Comissão. Destacou ainda que o orçamento da eleição seria de fundamental importância para que a Comissão Eleitoral requeresse os valores de custo junto à Administração Superior ainda no início do processo eleitoral, para assim a Comissão ter autonomia e gerir os recursos destinados à realização do pleito, de acordo com o papel que lhe é atribuído pela Resolução nº. 008/08, onde o Conselho Universitário confere à Comissão Eleitoral autonomia para gerir o processo eleitoral.

Porém, o presidente da própria Comissão desconhece a informação: “A comissão eleitoral é uma Instituição dentro da UFPI, onde a autoridade maior é o reitor Luiz Júnior”. Frente a esta afirmação, o professor Fonseca Neto, representante da Chapa 01 na Comissão Eleitoral, lembrou ao presidente que esta autonomia é ainda mais importante quanto se tem o atual gestor como candidato à reeleição, e que isso torna o papel da Comissão Eleitoral ainda mais importante porque tem que saber discernir o candidato do administrador.

Para surpresa dos representantes da Chapa 01, o professor Newton Freitas, integrante da Chapa 02 e Pró-Reitor de Ensino de Graduação, entrou na reunião, polarizando a discussão. Sem cerimônia, ele começou a responder os questionamentos da CHAPA 01 ao presidente da Comissão Eleitoral, fortalecendo os indícios de que a Comissão Eleitoral assume papel questionável no processo.

Um dos questionamentos respondidos pelo professor Newton Freitas foi acerca da existência da Urna 39, onde supostamente estariam os nomes de “estudantes especiais”. No entanto, a CHAPA 01 constatou que tais nomes dizem respeito a estudantes de outras Instituições de Ensino Superior ou portadores de diploma que cursam apenas uma disciplina na Universidade, mediante pagamento de taxa, o que segundo o não os constitui como alunos regulares da Instituição, logo não podem votar.

Fonseca Neto apontou a irregularidade e abuso do uso da máquina administrativa, já que a lista com nomes de alunos regularmente matriculados é de atribuição da Pró-Reitoria de Ensino de Graduação -PREG, ou seja, sob a direção do professor Newton Freitas, que é ligado diretamente ao reitor e candidato a reeleição, Luiz Júnior.

Candidatos da CHAPA 01 visitam Restaurante Universitário

Maio 2, 2008

Solimar Oliveira e Antônio Nascimento constataram alguns dos principais problemas do RU

Nesta sexta-feira, servidores do Restaurante Universitário receberam os candidatos da CHAPA 01 à reitoria da UFPI, Solimar Oliveira (reitor) e Antônio Nascimento (vice-reitor). O objetivo da reunião era ouvir as reivindicações da categoria e mostrar as propostas dos candidatos para os problemas apontados. Alguns servidores lembraram o quanto o segmento é desvalorizado, que os administradores só olham para os estudantes e esquecem os servidores.


Condições da cozinha do Restaurante Universitário. Última reforma foi apenas na área externa do RU

Na reunião, os servidores expuseram os problemas com as mudanças nas escalas de trabalho feitas pela atual administração sem nenhuma consulta aos funcionários, além de reinvidicarem a reforma da área de produção do restaurante (a reforma recente foi feita apenas na área externa do RU), o plano de saúde extensivo a familiares, e revisão no plano de cargos, carreiras e salários da categoria. Embora alguns servidores tenham se mostrado à vontade para falar sobre os problemas da categoria, muitos têm receio de expor suas opiniões: “A democracia aqui dentro da UFPI é muito fraca, muita gente tem medo de falar, tem medo de retaliação”, justificou Manoel Campelo, funcionário do RU há 18 anos.

Ciente dos problemas da categoria, o professor Antonio Nascimento informou que: “No último debate recebemos uma planilha com dez reivindicações dos servidores discutidas em Assembléia da categoria. Para nossa felicidade, das 10 reivindicações, 9 já faziam parte da carta – programa que contém as propostas da Chapa 01 para a Universidade”. Nascimento deixou clara a preocupação da CHAPA 01 com todos os segmentos da UFPI, e Solimar Oliveira reafirmou o compromisso falando da importância de se cuidar não só da estrutura, mas também das pessoas que trabalham para o crescimento da Universidade: “Essa lição eu aprendi dentro de casa: se você quer ter uma boa alimentação, não basta cuidar só dos ingredientes, é preciso ter amor e cuidado. E para exigir disso de vocês é preciso que vocês tenham condições e trabalhem satisfeitos, por isso a nossa preocupação em ouvi-los.”

Rumo à Vitória: Entusiasmo marca o último debate entre os candidatos à reitoria da UFPI

Maio 1, 2008

Vestidos com a cor azul, gritando palavras de ordem, balançado bandeiras e “cartões”. Mais de 500 pessoas foram apoiar os candidatos à reitoria pela CHAPA 01, os professores Solimar Oliveira (reitor) e Antônio Nascimento (vice), no último debate antes da eleição no dia 07 de maio. Faltando apenas três dias úteis para a realização da maior eleição da UFPI, o que se viu foram o entusiasmo e a crença no projeto de democracia e desenvolvimento da Universidade oferecido pela CHAPA 01.

O debate, organizado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE-UFPI), começou por volta das 17h30, com o local já lotado pelos partidários, onde a CHAPA 01 se demonstrava grande forte e numerosa, mesmo diante de uma torcida adversária formada por estudantes do interior do Estado. E como em todos os debates, Solimar Oliveira mostrou clareza e segurança em seus argumentos, defendendo um projeto coletivo, construído por diretores de centro, coordenadores, servidores e estudantes que fazem a UFPI.

Com uma política universitária voltada para o diálogo, Solimar defendeu a expansão planejada, citando declarações recentes do Ministro da Educação, Fernando Haddah, que defende uma expansão do ensino superior com qualidade, e não uma expansão por expandir. E informou em meio às perguntas e discussões, o significado de gestão que norteia seu ideal de democracia: “Gestão é uma construção coletiva, é respeitar a comunidade acadêmica e a sociedade”.

Partindo disso, apontou para os membros da assessoria política que o acompanham, com quem construiu junto os caminhos para criar uma carta-programa que contemple todos os segmentos da Universidade, valorizando cada um deles, e enfatizou: “A minha trajetória na Universidade está pautada no fortalecimento de todos os segmentos com igual representação, igual peso. Vamos transformar essa Universidade em um parlamento!”.

Solimar lembrou ainda que a equipe não está completa, porque em sua gestão, cada centro, cada departamento, estudantes e servidores poderão opinar, falar das demandas de seus Campi, em Teresina e também no interior, sem medo de perseguição política: “É inaceitável que ainda se faça política universitária apelando para perseguições a estudantes e professores”, enfatizou Solimar quando relatou ao público os casos de perseguição sofrida por estudantes e professores que não compactuam com a gestão “personificada” do atual reitor.

Exemplo desta gestão “personificada” é o fato do atual vice-reitor, professor Antônio Nascimento, ser o candidato à vice-reitoria pela CHAPA 01. Durante o debate, Nascimento expôs como foi colocado de lado pelo atual reitor, sem poder participar da administração. Ele acredita assim como Solimar, e tantos outros que os apóiam, na construção coletiva da UFPI.

Nas perguntas feitas por estudantes, professores e servidores, a fragilidade e descaso em diversos setores da Universidade foram expostos. Como a utilização do “mensalinho” na FADEX, envolvendo processos de licitação fracionados e familiares do atual reitor; os processos administrativos, tanto na UFPI quanto no Ministério Público, contra o candidato a vice-reitor pela chapa adversária; bolsistas que estão a mais de um mês sem receber seus benefícios; a entrega de equipamentos para Centros e ônibus para os campi do interior do Estado a menos de uma semana da eleição, caracterizando o uso da máquina pública a favor de sua campanha; além de denuncias da influência do reitor sobre as decisões da Comissão Eleitoral.

Depois de quase quatro horas debate, nas considerações finais feitas pelos candidatos, Solimar Oliveira e Antônio Nascimento reafirmaram o compromisso de levar uma gestão democrática para a Universidade, com o crescimento pautado na qualidade do ensino presencial e a distância. E agradeceram o apoio de todos aqueles que acreditam nesse ideal, por livre e espontânea vontade, sem precisarem de cargos comissionados ou favores para levantarem esta bandeira em defesa da UFPI. Ao final, o público respondeu com entusiasmo as palavras dos candidatos, que carregou o Solimar Oliveira nos braços e cantou o Hino Nacional em coro, declamado por centenas de vozes que acreditam em uma Universidade construída por todos.